quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Análise: The Gates


Alguma vez você já experimentou assistir uma série sem saber do que ela se trata? Quero dizer, sem saber MESMO do que se trata? Você senta no sofá e começa a assistir, sem nunca ter lido uma sinopse, visto um comercial ou sequer ouvido um comentário. Eu tive essa experiência pela primeira vez ontem enquanto assista ao primeiro episódio da série "The Gates" (série da ABC, que estreou nos EUA em junho de 2010), pela FOX, e confesso que me surpreendi em cada cena, cada vez que ia descobrindo o que ela abordava. No primeiro momento, ao ver o luxuoso condomínio homônimo e as pessoas que nele vivem, bem como um certo acidente de carro que quase ocorrera, imediatamente achei que tava vendo alguma série à la "Desperate Housewives", mas digamos que errei feio. Hehe

A série começa mostrando os domínios do renomado e tradicional condomínio familiar "The Gates", um conjunto habitacional famoso por conceder aos seus moradores uma vida isolada do mundo exterior e um nível de segurança nunca antes visto. Uma quase Teri Hatcher (risos) sai de casa e vai até o quintal, quando repara que sua "filha" persegue seu skate pela rua. No mesmo momento, na estrada, um carro avança em alta velocidade e não aparenta ter visto a garotinha. A mulher fica apavorada e corre em direção à criança, que fica estática ao ver o carro se aproximando. Felizmente (ou não), o motorista desvia da menina num movimento brusco e enterra com o carro num obstáculo. A mãe verifica se a filha está bem e a coloca no carro da vizinha, que costuma levá-la pra escola. Então a dona de casa vai checar o estado do motorista, que está sangrando devido a um corte bem feio no supercílio. Até então, eu não tinha entendido a razão da mulher olhar pro corte com aquela cara tão, digamos... preocupada. Ela então o convida pra entrar e começa a fazer um curativo. Bem mais do que isso, na verdade, ambos começam a fazer insinuações, jogam piadas, rola aquele clima de sedução e pimba! A furada tá armada. Eu já deveria saber o que viria a seguir quando ela repara pela 2ª vez no sangue do cara, dessa vez no algodão, mas acho que tava com muito sono pra conseguir ligar os pontos. Eis que então ela o atrai pra mesa da cozinha, cheira a nuca dele e... o morde. Sim, ela ejetou os caninos, agarrou no pescoço e começou a sugar. Logo depois ela o joga na pia, deixa o sangue escorrer pela mesma e se banqueteia. Sim, meus amigos, o que começou com uma versão mais refinada de "Desperate Housewives", agora me remetia a "Nosferatu", "Drácula de Bram Stoker", "True Blood", "Vampire Diaries", "Crepúsculo", "Buffy", "Angel" (...). Essa aí foi minha primeira surpresa. Então a série fala de vampiros, afinal? Sou obrigado a dizer que já tô meio de saco cheio de programas com temática vampiresca, mas resolvi dar uma chance. Mais surpresas estariam por vir. A série segue com a chegada do protagonista Nick Monohan (Frank Grillo) e sua família no condomínio. Ele veio de Chicago pra assumir o cargo de novo chefe de polícia. Monohan teve alguns problemas em seu cargo anterior ao matar a sangue frio um estuprador e assassino desarmado, o que deixou a galera dos Direitos Humanos furiosa e isso quase custou seu emprego. Isso ainda o assombra um pouco, bem como ao resto da família. Prosseguindo, cada um deles segue seu rumo em sua nova vida: O pai vai pro trabalho conhecer sua nova equipe, a mãe, Sarah Monohan (Marisol Nichols) fica em casa desempacotando as coisas (e recebe inclusive, a visita da vampira Claire Radcliff (Rhona Mitra), que parece interessada em sondar os novos moradores do condomínio) e os filhos Charlie (Travis Caldwell) e Dana (McKaley Miller) seguem para a nova escola. Lá, Charlie conhece uma menina, Andie Bates (Skyler Samuels) e os dois se aproximam muito rápido, deixando o namorado de Andie, Brett Crezski (Colton Haynes) bastante desconfortável. Entre ameaças, troca de olhares e desentendimentos, acaba sendo revelado que Brett é um lobisomem e faz parte de uma matilha. Que maravilha! Mais uma série com rixas entre licantropos e sanguessugas. Quando descobri isso, desanimei completamente. Imediatamente comecei a lembrar de toda a história da "Saga Crepúsculo" e me questionei se queria realmente rever tudo aquilo. Mas fui adiante. Depois, o marido de Claire, Dylan Radcliff, (Luke Mably) chega em casa de viagem. Ele abraça a esposa e de repente sente um cheiro estranho. Violentamente ele insere os dedos em sua boca e reconhece o cheiro de sangue. Furioso, pergunta a ela onde o corpo de sua mais recente vítima está. Aparentemente arrependida, ela o leva até uma espécie de freezer e mostra o corpo do homem. Dylan também é um vampiro. Aparentemente, eles tentam viver no anonimato no condomínio da forma mais discreta possível para que não precisem se mudar (Alô, Stephenie Meyer!). Para isso, se alimentam do sangue cedido por Dylan de seu emprego, uma espécie de Empresa que lida com biomedicina e por essa razão ele não aceita que a esposa faça vítimas, principalmente no The Gates. Eles também se preocupam com o bem estar da "filha" (que aparentemente é só mais uma ferramenta para que eles se encaixem na vida normal de um ser humano, embora Dylan demonstre muito afeto e carinho por ela. Ainda não foi revelada a verdadeira situação e papel da menina, mas acredito que tenha sido adotada). Na delegacia, Nick investiga com seus colegas o misterioso desaparecimento do homem que sofreu o acidente de carro, entrou na casa dos Radcliff e jamais saiu de lá. Eles avaliam as câmeras de segurança e verificam que a que filma o setor da casa de Clair e Dylan fora desativada logo depois do acidente de carro. Nick suspeita e resolve interrogá-los. Na casa deles, Clair afirma que o homem saiu de sua casa depois de ter recebido assistência e Dylan, muito aflito, começa a responder as perguntas por Clair, o que deixa Nick ainda mais desconfiado dos Radcliff. Nesse momento se inicia uma investigação autônoma por parte de Nick sobre seus vizinhos. Conforme o seriado avança, o que fica claro é que não somente vampiros e lobisomens vivem no local, mas também bruxas que possuem lojas de ervas e produtos místicos e súcubos, inclusive a própria Andie, que são demônios em formas femininas que invadem os sonhos dos homens a fim de ter relações sexuais e assim roubar sua energia vital.

Nem "Crepúsculo", nem "Van Helsing", "The Gates" leva a mitologia de horror a outro nível. Como disse no início desse post, as surpresas foram me pegando aos poucos desde que comecei a assistir a série. Fiquei aliviado ao notar que não seria SOMENTE mais uma história de vampiros e lobisomens, mas sim um banquete farto com uma colcha de retalhos de seres mitológicos convivendo num local fechado e isolado do resto do mundo. As vozes da versão dublada também deixam bastante a desejar, naquele estilo bem bagação mesmo, mas nada que te faça desistir de acompanhar. No geral, o balanço da série foi bem positivo e mostrou-se um programa deveras interessante. Infelizmente, nem todos concordaram e a série já foi cancelada nos Estados Unidos, deixando os novos fãs como eu descontentes ao se conformarem com apenas uma temporada (o que eu acho um absurdo, visto que existem tantas outras séries muito inferiores a essa que continuam no ar por pelo menos 3 temporadas). Tenho certeza que "The Gates" cairia nas graças do público se continuasse no ar por mais um tempo. Entretanto a exibição aqui no Brasil acabou de ser iniciada e você pode conferir todas as quartas, às 21:00hr pela FOX. Se interessou? Curte aí um teaser feito pela emissora pra promover a série.

Um comentário:

  1. AKAKAKAKAK. Nossa, até EU não aguento mais séries de vampiros...Nossa, como é que você arranja essas séries?? Genial!! Meu personal-series-discover... uahauhaua.

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