domingo, 27 de março de 2011

Estrela em Crise


Beleza, sei que faz bastante tempo que o blog não é atualizado e isso se deu em decorrência de uma série de fatores: Volta às aulas na faculdade, crise de criatividade e, confesso, preguiça. Mas o que me leva a vir postar atualizações às 02:.21hr numa madrugada de sábado? Pois bem, a enorme insatisfação e, mais que isso, a preocupação de um fã.

Vamos começar contextualizando as coisas: 2011, Britney Spears anuncia o lançamento de seu álbum, "Femme Fatale", para o dia 29 de março, lança o 1º single "Hold It Against Me" acompanhando de um clipe que faz um tributo à sua carreira, alcança o 1º lugar nas paradas musicais mais importantes do planeta, recebe uma avalanche de críticas positivas acerca do cd, lança o 2º single, "Till The World Ends" e, novamente, é bombardeada com boas críticas, apontando-a inclusive, como Rainha da Dance Music atual. Certo, se pensarmos em tudo que Spears viveu nos últimos anos, ela se encontra atualmente numa posição BEM melhor do que muitos imaginariam, até mesmo os mais otimistas. Mas apesar de todo o barulho que a música da loira ainda é capaz de causar na indústria atual, como fã, ainda não me sinto confortável com algumas coisas. E sou obrigado a admitir que esse post é mais que uma crítica, é um desabafo.

Eu cresci vendo uma Britney explosiva, dançante, sexy, provocante, feliz e animada sobre um palco. Me acostumei em ser fã de uma das maiores artistas que o mundo já viu. Sempre pude opinar quando o assunto era sobre qual cantora era melhor na arte da dança, qual tinha os fãs mais fieis, fazia as melhores músicas. Quando algum programa de Tv abordava a carreira dos artistas mais bem sucedidos da década, Spears estava lá. Quando eram enumerados os grandes e mais influentes singles lançados nos últimos anos, Spears estava lá. Em suma, qualquer pessoa que teve sua adolescência regida pela sensualidade e pelo som da Miss Sonho Americano se acostumou em adorar e venerar A artista. Não havia mais ninguém, somente ela. E por que tal sensação? Porque muito além de pôr o mundo aos seus pés, Britney fazia isso com amor. E hoje? Depois de quase 13 anos e uma conturbada vida pessoal, como Britney é vista por nós? Ok, é inegável o fato de que ela superou os problemas que enfrentou nos últimos anos com muita garra e coragem, deu a volta por cima com maestria, conseguiu mais status, vendas, prêmios. O problema é que Britney parece não fazer mais nada disso com amor. Sim, o mesmo amor de outrora. Vamos às constatações:

2009: Tem início a "The Circus Starring Britney Spears": Primeira turnê mundial de Britney desde 2004. Arrecadou milhões, foi considerada uma das mais bem sucedidas da história. E o que se vê nela? Uma Britney apagada, aparentemente sempre insatisfeita com alguma coisa. Uma Britney arriscando passos sem graça, frios, e, me arrisco a dizer, ruins. Os fãs (embora os mais alienados insistam em considerar essa como a sua maior turnê) tentaram a todo o tempo arranjar desculpas e justificar a razão pela qual Britney agia daquela forma sobre os palcos. Ouvi coisas desde "Ah, a fratura do joelho em 2004 e a operação a qual foi submetida a impedem de dançar como antes" até "Ela não tem mais 20 anos, tem dois filhos e já passou por muita coisa", chegando até "Ela simplesmente não dança porque não quer" e "Do que você tá falando? Ela tá dançando melhor que nunca!" (lembra dos alienados de que falei? Então... Hehe). Povo, sejamos sinceros: Britney não dançou nada em sua última turnê. E mais do que isso, ela parecia subir no palco obrigada. Não somente lá, mas também em suas performances do "Good Morning America", "Bambi Awards", "Star Academy" etc. Em todas elas pudemos ver uma linda e sorridente Britney que parecia tentar, tentar e tentar convencer seu público de que estava feliz em estar trabalhando, que ama dançar e se apresentar, mas isso NUNCA pôde ser visto de fato. "É só insegurança", eu repetia pra mim mesmo durante todo esse tempo. "Isso logo passa."


Pois cá estamos nós, em 2011 e finalmente (depois de seus singles recém-lançados perderem força nas paradas musicais) são iniciadas as divulgações de seu último álbum. Ela começou com um pocket show na boate Rain, em Los Angeles no dia 25/03. Somente algumas músicas, uma pequena apresentação mesmo. Ansiedade, curiosidade, preocupação. Uma amálgama de tudo isso foi sentida pela maioria dos fãs. E eis que ela surge no palco, uma vez mais... aparentando estar em sua melhor forma. E não foi dessa vez. Novamente, o que vimos foi uma Britney sem energia, sem vontade, sem habilidade para a dança, sem vida. "Britney em seu incrível retorno!" é o que todos anunciam ao redor do mundo. Mas pelas minhas contas, esse já é o suposto 3º retorno. Não me entendam mal! Eu tenho consciência do sucesso que Spears ainda é capaz de fazer, sei de suas vendas significativas, sei do delírio que ela leva aos fãs, sei, mais do que ninguém, do legado intocável que ela carrega consigo através dos anos. Mas temo que isso não seja mais suficiente. Ela não divulga mais seu trabalho e quando o faz, faz de forma sem graça, sem paixão. Paixão! Aquela que citei no começo da postagem, aquela que não saía dos olhos de Britney e que, hoje em dia só pode ser de fato vista, quando ela está em algum momento reservado com seus dois filhos. "Como é bom estar de volta aos palcos!", disse ela em seu Twitter. Mas não é isso que sua desenvoltura nos diz. Embora em suas entrevistas ela sempre diga que se esforçou ao máximo para gravar o álbum e que faz tudo pelos seus fãs, definitivamente não é isso que ela sente. É como se cada passo, cada movimento dela fosse feito somente pra cumprir os contratos com a gravadora. Não existe mais a espontâneidade em sua rotina. Ela tornou-se robótica, anacrônica, tornou-se finalmente, uma marionete. Não entendo a razão pela qual ela age assim. Ninguém "desaprende" a dançar. A idade também não é desculpa. Madonna taí pra nos mostrar isso. Coreografias incrivelmente elaboradas e executadas? Onde? Hoje em dia elas pertencem somente à Beyoncé. Prazer em suas divulgações? Lady GaGa sim, sente isso.



Talvez isso tudo seja fruto do processo nocivo ao qual ela foi exposta durante seu período mais negro. Britney cresceu sendo venerada por um mundo inteiro. E foi esse mesmo mundo que arrancou tudo a qual ela se sentia segura, que lhe deu uma rasteira e tomou dela sua dignidade, sua privacidade, sua vida. Talvez ela não tenha mais a menor vontade de se apresentar para esse mundo tão vil, atroz. Talvez não tenha o menor interesse em ser o centro das atenções, das notícias, dos holofotes, em ser a melhor cantora, a melhor dançarina, em protagonizar a sangrenta competição que suas colegas de profissão enfrentam para constatarem quem reiventa, choca e cria mais. Talvez ela não dê mais a mínima para os fãs ou talvez eles sejam o único motivo pelo qual ela ainda ensaie, grave músicas e se apresente (embora não consiga fazer isso com a mesma vontade que antes). Tudo o que temos agora são suposições, deduções, acusações, perguntas sem respostas. E talvez, lamentavelmente, jamais saibamos a verdade por trás disso.

O furacão Britney Spears não mais existe. Ele só permanece presente em nossas memórias e documentado em milhares de apresentações épicas. E sim, sentiremos falta dele.